terça-feira, março 09, 2010

Vereadores, se não cuidam da porta da sua casa, como podem querer gerir minha cidade?

Está ali para quem quiser ver, mas ninguém parece prentar atenção.

Basta olhar para fora, pelas janelas do Palácio Anchieta (que para quem não sabe, este é o nome do edifício que abriga a Câmera Municipal de São Paulo) para ver o que todos os moradores do bairro da Bela Vista e os milhares de transeuntes que passam pelo Viaduto Jacareí estão cansados de ver diariamente.

As condições da calçada que fica em frente ao Palácio, ali mesmo, do outro lado do viaduto, chega a dar medo. Buracos que cabem um pé dentro; placas soltas (hei! mas aquilo não é um viaduto???); fios soltos juntos à base dos (belos) postes de iluminação e suporte à fiação da rede de trólebus; sujeira de todo tipo; fezes e urina humanas e, vez por outra, cocô de cachoro, que algum dono sem educação esquece de recolher quando resolve passear com seu peludo pelas ruas do bairro.

Tudo bem que já foi pior - pelo menos no que tange à sujeira.

Basta lembrar que até pouco tempo, bem na esquina do viaduto com a rua Maria Paula ficava o Albergue Cirineu. Onde ele foi parar? Para muitos dos moradores dos prédios da vizinhança, em particular do Edifício Planalto (onde moro), pouco importa.

O albergue e quem dependia dele não estão mais ali. Se agora aqueles homens imundos e sem qualquer perspectiva de futuro estão atrapalhando a vida de outras pessoas e emporcalhando a porta de outros edifícios, isso não lhes diz mais respeito e é isso aí.

Em sua grande maioria esses homens se foram. Uns poucos ainda perambulam por ali e a sujeira que deixam quando desaparecem ao amanhecer ainda incomoda, se bem muito menos do que antes.

Vou ser justo: a limpeza urbana passa lá praticamente todos os dias, varrendo e lavando. E todos os dias, como uma bactéria resistente, a imundície reaparece, como uma chaga incurável.

Mas e quanto ao resto?

Caminhe por ali - são 100, 200 metros se muito - e você verá que o viaduto se deteriora a olhos vistos. A cada dia um novo buraco; os antigos só fazem aumentar de tamanho, ameaçando a integridade física que quem passa por ali diariamente.

Menos os vereadores. Quando vão à Câmara, chegam em seus carrões e entram no palácio lá pela garagem que fica na rua Santo Antonio. Seus gabinetes, penso eu, não têm janelas, porque se tivessem, vez por outra veríamos alguns deles sentados em suas mesas de trabalho, que aliás, pelo menos pra quem olha de fora, estão sempre vazias (podiam ao menos apagar as luzes quando saem...). E eles com certeza notariam algo de errado. Está ali... pra quem quiser ver.

Eu sei que consertar calçadas não é papel do Legislativo, que isso está sob a responsabilidade (ou deveria estar) da subprefeitura da Sé. Mas se a porta da minha casa está suja, com problemas, me sinto no direito/dever de cobrar que algo seja feito para sua limpeza e conserto.

Dias atrás, após um post no Twitter da vereadora Mara Gabrilli a respeito de calçadas e acessibilidade, eu lhe disse que desse uma olhadela mais perto, ali mesmo, em frente à Câmara. Ela me respondeu que encaminharia minha reclamação à presidência da Casa.

Não convidei naquele momento (até porque 140 caracteres limita pacas a comunicação), mas faço isso agor: Vereadora, vamos dar uma voltinha por ali? É apenas uma quadra e você nem vai precisar do carro oficial.

Se tiver tempo e quando chover, aproveite e vá com alguém até a passarela de aço que liga a rua Santo Amaro ao terminal Bandeira. Se possível, peça que a pessoa em questão esteja usando sapatos. E note como é fácil se equilibrar naquelas circunstâncias.

Depois, se quiser, me diga o que achou.

O vídeo abaixo, feito no Viaduto Jacareí, dá uma ideia do que estou falando.

video

quarta-feira, outubro 24, 2007

Imaginação e muita eficiência (ou coincidência, sei lá)

Chama a atenção os nomes pelos quais o comando da Polícia Federal denomina suas operações mais complexas, ou pelo menos as midiáticas.

Das relacionadas em 2007 (o relatório foi atualizado pela última vez em no final de agosto), encontramos coisas como KOLIBRA, PARABELLUM, BIG-APPLE, ANANIAS, CASÃO, TRUCO, BYBLOS, HURRICANE, KASPAR, HIENA, FREUD, GERÚSIA e CONVENTO.

Convenhamos, imaginação parece que não é problema dentro desta instituição que (ainda) consegue passar um caráter de seriedade para a população e o tema já deve ter sido comentado por muita gente por ai (numa busca rápida e preguiçosa, encontrei o falando nisso).

Ao comparar o volume de atividades batizadas este ano, encontrei 107 operações (vale ressaltar que ainda faltar que a última atualização foi feita em agosto - ou seja, ainda cabem quatro meses de operações lá), contra 167 no ano passado, 64 em 2005, 42 em 2004 e apenas 16 em 2003, último ano listado no site da PF.

Fazendo uma regra de três simples e assassinando qualquer regra estatística, posso supor que vamos chegar em dezembro com 160 operações, número próximo do registrado em 2006.

Se olharmos apenas para esses números, poderíamos afirmar que a criminalidade no País está estabilizada? Difícil dizer. Que a PF vem trabalhando com mais afinco nos últimos anos dois, três anos? É possível.

Não consegui apurar o atual contingente de PF – vasculhei o site e não achei nada sobre isso (mas ainda não desisti) – nem sua variação nos últimos quatro anos. Mas posso afirmar, sem medo de errar, que o número de agentes não cresceu tanto quanto o número de operações (mais de 800% entre 2003 e 2006).

Tampouco pode-se supor que a instituição tenha recebido um volume de recursos para investir em tecnologia que pudesse justificar tamanha melhoria de desempenho.

Coincidência ou não (e pelo bem da própria instituição bom seria que não fosse), a melhoria na atuação da PF – pelo menos com relação aos dados disponíveis e sobre os quais essas considerações são feitas – começa a ser notada a partir da primeira gestão do PT na Presidência da República.

Em meu próximo post, que espero não demore tanto para ser feito quanto este, vou mostrar o resultado do cruzamento das datas de deflagre de algumas dessas operações com a agenda político-econômica nacional. Este mapa ainda não está pronto, mas parece torto.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Gaveta sim, mas com profundidade

As edições desta segunda-feira (12 janeiro de 2006) dos dois jornais de maior circulação do Estado de São Paulo – Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo – trazem dois assuntos distintos em suas manchetes.

Enquanto a FSP anuncia em seis colunas “Déficit do INSS piora até em conta nova”, a edição do OESP estampa, em apenas duas Brasil é campeão em ações trabalhistas”. Até aí nada demais.

Salvo o tema violência que esteve na pauta da mídia durante todo o final de semana, fruto da morte violenta do garoto de seis anos, João Hélio Fernandes, na última quarta-feira (7), no Rio de Janeiro (RJ) – no OESP, o tema ainda traz uma suíte “Família de João Hélio faz apelo por lei mais severa”; na FSP, com destaque no topo da página, “Quinto suspeito da morte de menino se entrega” –, os dois jornalões mostram que as edições de segunda-feira de qualquer jornal, pelo menos no que tange às manchetes, são uma verdadeira caixinha de surpresas, em geral construídas a partir de material frio (no jargão, ‘de gaveta’), apurado ao longo da semana e guardado para as edições de domingo ou segunda-feira.

O que muda é a forma com que cada publicação se debruça sobre aquilo que o editor responsável pela primeira página considerou o assunto mais importante da publicação.

No caso da Folha de S.Paulo, apesar da importância dada ao tema na chamada da manchete, a matéria sobre a mesma, de autoria dos jornalistas Gustavo Patu e Leandra Peres, ambos da sucursal de Brasília, é baseada em relatório enviado ao jornal pela Previdência e números constantes do Orçamento da União de 2006. Nenhum demérito (ou descrédito) sobre o que foi publicado. Porém, a reportagem, se é que chegou a ouvir as partes envolvidas – ou seja, a Previdência – esqueceu-se de falar sobre isso na matéria.

Já Renée Pereira, de O Estado de S.Paulo, fez a lição-de-casa. A matéria também resulta de relatórios, no caso um estudo do sociólogo José Pastore. Mas a reportagem vai além. Ao falar sobre processos trabalhistas, foi ouvir o que tinha a dizer representante do Tribunal Superior do Trabalho à época do estudo e, para completar, a opinião de pelo menos um especialista fora da esfera pública.

Ponto para o Estado.

sexta-feira, dezembro 01, 2006

Que quarto poder?

A edição de dezembro da versão russa da revista Forbes foi recolhida e destruída, conforme noticia o UOL. A edição traz matéria sobre a mulher mais rica da Rússia, Elena Baturina, por acaso, mulher do prefeito de Moscou.

A justificativa para a decisão, apresentada pela editora da revista, foi de que a matéria teria desrespeitado "os princípios da deontologia jornalística". Ahã.

Deontologia é o
conjunto de deveres profissionais de qualquer categoria profissional minuciados em códigos específicos. Até aí tudo bem.

Fica difícil compreender que uma editora só tome conhecimento do conteúdo da publicação que teoricamente dirige quando está já está impressa e distribuída (tudo bem - dizem que o Lula também não sabia de nada). O engraçado é que ela só resolveu tomar conhecimento do teor do que se publicou depois de ameças feitas por um dos maiores grupos econômicos russos e que, não por acaso, é dirigido pela Elena Baturina.

Tudo bem que pouco se pode esperar de um país que vem sendo acusado de envenenar (ex-)espiões como
Alexander Litvinenko, que vinha investigando o assassinado da jornalista russa Anna Politkovskaia, morta a tiros em seu apartamento em Moscou. Anna vinha fazendo duras críticas ao governo.

A Imprensa, pelo menos essa, deveria ter o brio de cumprir seu papel social e não deixar que o peso do dinheiro, pressões jurídicas e a violência a façam calar.

A chefe de redação da Forbes, pelo menos, honrou as calças (ou saias, conforme o caso) que veste: ao saber da decisão da editora da publicação, pediu demissão.


O sexo da Dona Benta


Infelizmente não posso acompanhar o desenrolar diário da “obra de Monteiro Lobato”, Sítio do Picapau Amarelo, apresentado durante a semana na Rede Globo. Vez por outra, quando dá pra sair de casa mais tarde e enquanto como meus dois paezinhos matinais, dou uma espiada e tento entender a história e me faz lembrar de quando eu era criança.

No capítulo da última terça-feira, fiquei surpreso com uma cena, pra mim inusitada. Volto a lembrar: não vejo ao programa todos os dias; por isso não conheço os detalhes da trama. Mas vamos aos fatos.


Depois de seguir uma determinada personagem pelas matas que rodeiam o sítio, Dona Benta finalmente consegue chegar à gruta onde mora o “Eremita”, guardião de um certo cristal ou algo parecido. Eles se reconhecem de imediato, longa troca de olhares, segundos de suspense. Em meio a um jogo de palavras, os dois dão a entender que tiveram um affaire no passado, que não teria se concretizado justamente porque o Eremita teria sido obrigado a assumir seu papel de guardião do tal cristal.

Se a memória não me trai, as histórias de Monteiro Lobato (1882-1948), em particular as do Sítio do Picapau Amarelo, são meio como as contadas por Walt Disney. As relações familiares nunca são muito bem definidas e as personagens principais não têm pais nem mães presentes. Nunca entendi muito bem o porquê.

No caso do Sítio, Dona Benta é avó de Narizinho (Lúcia) e de Pedrinho, que são primos. Mesmo na série que passava, acho, nos anos 1970-1980, não me recordo de ter visto seus pais uma única vez. Eles simplesmente chegavam da cidade para as férias escolares e a aventura começava.


No caso do Disney, temos o Mickey com seus sobrinhos Chiquinho e Francisquinho; a Minie também tinha duas sobrinhas, cujos nomes não me recordo. O tio Patinhas é tio de quase todo mundo: do Donald, do Peninha (e ambos têm sobrinhos, estranhamente muito parecidos com eles) e do Gastão – todos primos. Não posso deixar de citar a vovó Donalda, avó inclusive do tio Patinhas. Também têm sobrinhos – nunca filhos – a Margarida, o Pateta e os três Irmãos Metralha, que tinham (acho) três sobrinhos (mas que não eram filhos de nenhum deles).

Mas voltando ao Sítio, o tal Eremita tem um filho (descobriu-se isso recentemente). Tudo bem que algumas histórias têm de ser adaptadas e tal, sob o risco de perder o compasso do tempo. Mas o público que vê o Sítio (salvo marmanjos como eu) não tem idade suficiente para entender tamanha engenharia genealógica. Monteiro Lobato deve estar se virando no túmulo. E a Zilka Salaberry também.

Vou aproveitar para comentar um fato acontecido há mais ou menos seis anos. Estava em casa, com meu sobrinho (na época com pouco mais de dois anos), vendo na TV uma das inúmeras roupagens do programa da Xuxa. Começou passar um desenho. Não acreditei no que via. A história falava de uma mulher, casada com um alcoólatra. Todos os dias, ao voltar do trabalho, de porre, eles discutiam e invariavelmente, ele batia nela. Só pra contextualizar: isso tudo, às 10h da manhã de um dia de semana...

Continuando... De tanto apanhar, um dia a mulher resolveu sair de casa. Passou fome antes de conseguir emprego.... num cabaré, como stripper (... às 10 da manhã). O tempo passa, ela parece esquecer do seu passado. Num determinado dia, o tal marido bêbado-violento aparece no cabaré, meio estropiado e tal e dá de cara com a ex-mulher. Não me lembro como a história acabou. Fiquei tão chocado com o conteúdo daquele desenho que acho me esqueci do final do lance.

Mandei um e-mail para a produção do tal programa, mostrando minha indignação quanto ao que acabara de assistir. Deixei claro que não admitia que meu sobrinho – como tantas outras crianças que assistem TV durante o dia – pudesse ser alvo de um programa como aquele que eu tinha visto. O que esperar, então, do que eu não podia acompanhar.

Fiz questão de ressaltar que assistira àquele por mero acaso.
Há seis anos, o volume de pessoas que usavam o correio-eletrônico para se comunicar com a produção da Globo era muito pequeno. Acontece que nem uma resposta automática do tipo: “Obrigado por entrar em contato com a nossa produção etc. etc. etc.” eu recebi. Muito menos uma explicação no mínimo razoável para terem exibido aquela aberração às 10h da manhã. Simplesmente ignoraram o fato. Isso em se tratando de um canal do porte da Globo. Imagine, então, o que não acontece com os canais, digamos, de segunda, terceira, quarta linhas...

quinta-feira, novembro 30, 2006

O papel do Itamaraty


Reza a lenda que o então presidente da República General Eurico Gaspar Dutra (1946-1951) não dominava o idioma Inglês (não acho isso seja obrigatório e isto não tem nada a ver com o fato do nosso atual presidente mal falar o Português formal; penso ser essa – entre outras – a função da Chancelaria e os que mamam nas tetas do Itamaraty) teria um encontro com seu colega norte-americano Harry S. Truman (1945-1953). Para evitar gafes, Dutra teria sido orientado a repetir as palavras de Truman, evitando assim, um vexame maior.

Na hora do encontro, o presidente dos Estados Unidos teria estendido a mão e dito:

- How do you do, Dutra?

Ao que nosso presidente, sem hesitar, respondeu:

- How tru you tru, Truman?

Lembro essa história para chamar a atenção a dois detalhes que aconteceram nesta quarta-feira, em Abuja (Nigéria), durante a Cúpula África-América do Sul (não riam, isso existe). A despeito do machucado em seu pé direito (ocorrido há três dias na Granja do Torto – ninguém disse, mas é claro que foi jogando bola), Lula manteve o compromisso marcado com o ditador líbio Muammar Gaddafi e, mesmo de cadeiras de roda, chegou na hora. Só que seu colega líbio chegou com mais de 30 minutos de atraso. Uma indelicadeza protocolar inadmissível. O lance deve ter pegado tão mal que o presidente Gaddafi solicitou novo encontro com Lula, um café da manhã, que aconteceu nesta quinta-feira.

O segundo “detalhe”, este causado pelo presidente Lula (e que passou despercebido por todo mundo), aconteceu durante um encontro entre ele e os presidentes de Togo, Gana, Nigéria e Moçambique. Lula já havia cumprimentado um de seus colegas e, ao ver uma mão estendida, tratou de agarrá-la e cumprimentar também. Só que o dono da mão era funcionário do cerimonial nigeriano, que apenas indicava o lugar que o outro presidente deveria ocupar.


quarta-feira, novembro 29, 2006

Iniciativa privada não é concentração

Tenho um pé (quase os dois, na realidade) na esquerda, mas bom senso suficiente pra acreditar que o Governo deve deixar algumas coisas de lado para ter fôlego e foco para se preocupar com, digamos, coisas de governo, deixando o resto para a iniciativa privada. O controle disso tudo ficaria por conta dos órgãos e agências reguladores independentes e apolíticos.

Foi divulgado hoje que a concessionária CCR irá controlar a Linha 4 (Linha Amarela) do Metrô Paulista, que vai ligar a Estação da Luz à Vila Sônia (zona oeste da capital). A notícia do InfoMoney registra uma informação importante.

A CCR - Companhia de Concessões Rodoviárias já possui outras seis concessões: Ponte Rio-Niterói (RJ), Nova Dutra (RJ/SP), Via Lagos (RJ), RodoNorte (PR), Autoban (SP) e ViaOeste (SP). Sem preciosismo, diria que por estas concessões passam a maior parte do PIB nacional que trafega por via terrestre.

Em 1998, quando foi privatizado o Sistema Telebrás, o então ministro das Comunicações Sergio Motta, comemorou o fato de ter vendido "ar" para as concessionárias que adquiriram as licenças para operar telefonia celular no País. Em oito anos, um telefone celular que custava mil dólares pode ser comprado, hoje, por menos de 100 reais (são quase 100 milhões de usuários no Brasil). Neste caso, a privatização seguiu regras rígidas, dividindo o mercado em áreas de interesse distintos e assegurando que nenhum controlador pudesse ter mais de uma concessão na mesma área, garantindo (em tese), a competição.

Não é o que se observa no caso acima. A CCR já domina as mais importantes rodovias do Brasil e começa a espalhar seus tentáculos no transporte público. Para fazer sentido, terá de mudar sua razão social.

Guaraná para o Carlito Tevez

Em clima de brincadeira, o ex-corinthiano Carlito Tevez afirmou que jamais vestiria a camisa da Seleção Brasileira.

Não imagino que eu tenha sido o único a me espantar quando vi pela primeira vez - e depois revi inúmeras vezes não sem um semi-sorriso nos lábios - o Dieguito cantar o Hino Nacional em uma propaganda do Guaraná Antarctica (delicie-se com esse vídeo do YouTube).

E isso me lembra, ainda, o Zeca Pagodinho e a briga das cervejas Schim e Brahma, tempos atrás.

Que o Tevez ainda é jovem, eu não tenho dúvida. Só acho que ele ainda não recebeu, isso sim, uma propo$ta interessante pra, digamos, ir contra seus princípios.

É uma questão de tempo, afinal, ele já deu o primeiro passo: é argentino e joga nas terras da Rainha Elizabeth II.

A Igreja, Bento XVI e a Turquia

Dizem que religião, política e futebol são assuntos que deveriam ficar de fora de qualquer discussão. Algo assim como cueca (ou calcinha), cada um tem a sua e estamos conversados.

Mas essa não dá pra deixar passar.

A atual visita que o Papa Bento XVI realiza faz à Turquia merece ser vista com mais atenção. Antes mesmo de pisar naquele país, populares (instigados ou não) mostravam-se contrários à sua visita. Hoje, noticia-se que a missa realizada por ele na Igreja da Virgem Maria teve a presença de cerca de 200 fiéis. Não, não digitei errado. São mesmo DUZENTOS fiéis. Ou seja, o contingente de policiais (mais de 3 mil) destacado para protegê-lo supera o de fiéis dispostos a ouvir o que Bento XVI foi dizer.

Não se trata de simplesmente ignorar a Turquia - e não é isso que estou querendo dizer. Estive em Roma pela primeira vez em outubro e, claro, o Vaticano e vi o Papa. Tudo bem que foi por uma coincidência - sou católico como boa parte da população brasileira e pratico a religião exatamente como a maioria, se é que me entendem... Após o início da missa na Praça de São Pedro (esperei até as bênçãos iniciais), fui visitar o Museu do Vaticano (muito mais interessante para quem tinha apenas três dias para conhecer a cidade toda). Chama a atenção o fato de que nas diversas placas que existem, cá e lá, nenhuma delas traga inscrições em Língua Portuguesa.

Vou cometer o despautério de usar uma informação não checada, mas acho que não vou errar. Se os falantes da Língua Portuguesa não são a maior parcela de católicos no mundo, estamos quase lá. E aí você vai ao Vaticano e não encontra uma única placa nesse idioma (os confessionários da Basílica de São Pedro, por exemplo, tinham padres falantes de várias línguas, menos a nossa!).

Aí o cara, chefe de tudo aquilo, decide fazer uma viagem e vai para um país no qual 99% da população é muçulmana e onde não é bem-vindo. Dá pra entender? Depois a Igreja vem com um discurso de que seu papel não tem absolutamente nada a ver com Política. Ahã! A Turquia tenta entrar para a Comunidade Européia e conta com o apoio pseudo-declarado do Papa, mas enfrenta uma resistência grande por parte dos demais países do bloco.